2010

Faltam pouquíssimos dias – sobretudo dias úteis – para este ano terminar. Fiquei pensando sobre este momento e não consegui o distanciamento necessário para avaliá-lo. Afinal, 2009 não foi o tsumani que temíamos. Penso que foi um ano diferente, menos frenético dos que os anteriores. Não vimos o fundo do poço e isto me parece bom.

Tenho, entretanto, um sentimento de que foi um ano de oportunidades perdidas. Não aquelas convencionais, mas, sobretudo, as que representavam convites da vida:

- acolher a interdependência como palavra de ordem, o que nos levaria realmente a contribuir mais uns com os outros, construindo relacionamentos mais ricos e amorosos.

- dar boas vindas a conceitos, valores e hábitos realmente novos, que nos levassem a outros caminhos, e em conseqüência, a novos destinos. Porque viajando pelas mesmas vias, chegaremos sempre aos mesmos lugares.

Fico pensando sobre a impossibilidade de manter as diferenças abissais entre as pessoas. Não apenas as de ordem material, que já são gravíssimas, mas as de caráter afetivo e espiritual. O “indivíduo” é um conceito do século XX que vem suplicando revisão. Preservar a individualidade não é ser umbigocêntrico. Tem relação com integridade, inteireza, eu acho.

Todas as perguntas que faço apontam para soluções coletivas, plurais, com cada vez mais NÓS e menos EUS.

Não é uma crise depressiva, um acesso de impotência. Ao contrário, é uma busca da energia necessária para operar as transformações pessoais e nos ambientes em que vivo. Não dá mais para cada um “livrar o seu”. Não dá mais para manter apenas relacionamentos de conveniência.

Por isso, torço por um 2010 em que os convites da vida sejam aceitos, antes de se tornarem convocações ou intimações. Antes tarde do que nunca.