Faltam pouquíssimos dias – sobretudo dias úteis – para este ano terminar. Fiquei pensando sobre este momento e não consegui o distanciamento necessário para avaliá-lo. Afinal, 2009 não foi o tsumani que temíamos. Penso que foi um ano diferente, menos frenético dos que os anteriores. Não vimos o fundo do poço e isto me parece bom.
Tenho, entretanto, um sentimento de que foi um ano de oportunidades perdidas. Não aquelas convencionais, mas, sobretudo, as que representavam convites da vida:
- acolher a interdependência como palavra de ordem, o que nos levaria realmente a contribuir mais uns com os outros, construindo relacionamentos mais ricos e amorosos.
- dar boas vindas a conceitos, valores e hábitos realmente novos, que nos levassem a outros caminhos, e em conseqüência, a novos destinos. Porque viajando pelas mesmas vias, chegaremos sempre aos mesmos lugares.
Fico pensando sobre a impossibilidade de manter as diferenças abissais entre as pessoas. Não apenas as de ordem material, que já são gravíssimas, mas as de caráter afetivo e espiritual. O “indivíduo” é um conceito do século XX que vem suplicando revisão. Preservar a individualidade não é ser umbigocêntrico. Tem relação com integridade, inteireza, eu acho.
Todas as perguntas que faço apontam para soluções coletivas, plurais, com cada vez mais NÓS e menos EUS.
Não é uma crise depressiva, um acesso de impotência. Ao contrário, é uma busca da energia necessária para operar as transformações pessoais e nos ambientes em que vivo. Não dá mais para cada um “livrar o seu”. Não dá mais para manter apenas relacionamentos de conveniência.